segunda-feira, 15 de junho de 2009

Tapenade

Decidi começar a escrever aqui algumas receitas. Não é por nada, mas já que mas pedem, então seja. Venham aqui e deliciem-se. Inspirem-se e façam.

Esta foi-me pedida hoje. É maravilhosa e aconselho vivamente.

Tal como eu, isto não tem nada de profissional. Apenas de amador. Tal como eu, que sou uma amante de boa comida. Assim sendo, não há quantidades exactas na maior parte das coisas, porque se faz a olho. É provando que se sabe o que faz falta ou está a mais. E que se tem prazer a cozinhar.

Enjoy.






Tapenade:

Azeitonas pretas, ou verdes, descaroçadas, em quantidade generosa. Eu prefiro usar duas ou três latas, para sobrar e guardar em frascos.

4/6 filetes de anchovas.

1/3 de um frasco de alcaparras.

1 fio de azeite.

Sal e pimenta.

Misturar tudo num processador - na Bimby tanto melhor. Ir vendo, de 10 em 10 segundos, para perceber quando está na consistência ideal. Provar e rectificar as quantidades.

Servir com tostas, pão de fatia alentejano ou qualquer outro de que se goste.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Estado encantatório


Estou absolutamente apaixonada por este senhor e tudo o que queria era que ele me pedisse em casamento (desculpa Filipe). Juro que me convertia ao Judaísmo só para poder ler os seus rascunhos e participar no seu processo criativo. Um dia destes deixo aqui alguma coisa escrita por ele. Vocês todos também se vão apaixonar. Homens e mulheres. Leiam, meus caros, leiam e maravilhem-se com aquele que é, talvez, o melhor escritor vivo. Eu até estou a ler em Inglês, meu Deus, e tudo o que quero é que o dia acabe para me enfiar na cama e ler páginas e páginas a fio. E nem a Ruth Rendell eu consigo ter motivação para ler em Inglês.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Descobri que existes


Graças a uns poderes adivinhatórios, e umas ajuda tecnológicas do amigo Google, descobri que existes. Que é como quem diz que existe alguém que me anda a ler no Brasil. Sim, és tu! Não olhes para o lado que não tenho vários leitores no Brasil. Tenho um e apenas um e por isso és tu. Sem enganos. Eu só não sei exactamente quem tu és. Homem, mulher, baixo, alto, magra, gorda.
Mas o que interessa é que tenho uma coisa a pedir-te. Não é muito, considerando o que recebes: estas minhas adoráveis (e grátis) palavras.
Posto isto...preciso mesmo de bikinis. Vá, já me contento com um. Daqueles torcidos, cai-cai, agora tão da moda, e que me ficam tão mal, mas paciência.
Pode ser de todas as cores: verde, branco, preto, azul, castanho, rosa, laranja, amarelo, roxo...eu sei lá. Pode ter padrão - adoro bolinhas e pintinhas brancas - pode ser liso, o que for.
De preferência daqueles que se vendem na praia, bem baratos, para poder olhá-lo com desprezo no próximo ano e po-lo de parte. Sem culpas.
Pronto, é isto. Não peço muito. E, se gostares mesmo daquilo que escrevo, também queria muito, muito, muito, muito umas havaianas, daquelas azuis, que não é bem turquesa, um bocadinho mais escuro, sabes quais são?
O bikini é L, as havaianas 35.
Obrigada. Podes enviar-me pelo correio, ou podes vir entregar-mo em mãos. Não sou esquisita. Olha, até te ofereço um café e falamos melhor. Até já.

Voltei

A pedido de muitas familias.

Agora digam-me sobre o que querem que escreva que estou sem ideias.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Seis factoides pedidos pela Mami


Uma estranha compulsão por destruir a pele

Uma estranha compulsão por livros policiais

Uma estranha compulsão por comida, café e cigarros

Uma estranha compulsão por sol

Uma estranha compulsão por birras, amuos, irritações e afins

Uma estranha compulsão por esquerdismos involuntários

quarta-feira, 11 de março de 2009

Rogério Casanova

Agora que se sabe quem ele é, o Rogério Casanova perdeu a piada toda. Já não vamos poder especular noite fora sobre quem seja tal pessoa e, ainda por cima, já não o vamos poder ler que acabou com o blogue ou fechou-o para os seus novos amigos,  a grupeta maravilha da nossa nata intelectual. O grupinho fechado. Os populares do Liceu (sim, que isto no fundo continua a ser um liceu, e a blogoesfera o recreio) já não são os giros, sexys, atraentes e burros, mas a malta cool dos blogues que até se pode dar ao luxo de ser feia e andar mal vestida. Agora, meus senhores, para a plebe resta comprar o livro, que o homem já escreve há muito tempo de graça. Claro que o livro já o lemos antes aqui no ecrã, antes de sermos excluídos, por isso vai ficar na FNAC a ganhar pó. Mas o romance está para breve, gentis pessoas, descansai. Ao que consta virá para as bancas em menos de um ano (depois não se queixem que eu não vos digo nada). Até lá, espero que não nos enjoemos todos com a digníssima pessoa, que está por aí citada em demasia. E tudo o que é demais, enjoa (gosto sempre de dar a minha contribuição para a ruína alheia e por isso estou a promover o enjoo). E agora vou ler o Le Carré, um verdadeiro senhor, de quem - julgo eu - o Rogério Casanova nunca falou. 

segunda-feira, 9 de março de 2009

Mulher

Ontem foi Dia Internacional da Mulher e não dei conta de nada. Ou talvez tenha dado. Estavamos três num carro. Do Alentejo para Lisboa. Duas mulheres e um homem. As duas à frente, ele atrás, encolhido no pouco espaço que lhe sobrava: o banco estava quase na totalidade preenchido por uma cama desmontável. O homem foi o primeiro a ficar no sossego do lar. Nós acabámos as duas a descarregar um carro cheio de malas e a transportar a cama para o seu devido lugar numa arrecadação lisboeta. Assim passámos o dia da Mulher. Com dores de costas. Mas com a certeza de sermos totalmente independentes.
Presentes, flores, jantares e afins tinham sido agradáveis, mas não se pode querer tudo, não é?

segunda-feira, 2 de março de 2009


Sinceramente ainda não consegui perceber como é que com tantos rios de tinta gastos sobre o tema, o assunto primordial ainda não foi abordado: a questão não é este quadro ser pornografia e pornografia não ser Arte, porque isso é simplesmente ridículo, como até as mentes iluminadas da GNR concluíram. A questão é que este quadro pode incentivar alguma jovem púbere ou, até, alguma senhora mais madura, a deixar crescer tamanha quantidade de, vamos chamar-lhe assim, 'penugem', a pensar que isso é sensualmente artístico. Ou, ainda mais grave, este quadro pode passar a ideia aos nossos jovens virgens e até, quiçá, a algum senhor de idade mais avançada que, por um motivo ou por outro, se mantém até agora casto, de que as mulheres não conhecem técnicas depilatórias. É que com esta visão, convenhamos, não são muitos aqueles que, desconhecendo a realidade, terão grande vontade de a conhecer. Muito menos de a adorar e explorar convenientemente. O que não é nada positivo. Assim sendo, e embora não recomende a apreensão do livro, recomendo, isso sim, um pequeno asterisco, apenas a lembrar que isto é um quadro, não uma fotografia e que, como tal, não representa a realidade. Não só esta densidade pilosa não é habitual, como seria imediatamente eliminada por qualquer mulher. Ou quase, que alguma se pode deixar influenciar por esta imagem.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009




Não me venham com dogmas de que um casamento é mais válido do que outro, apenas pelo género dos intervenientes.

Para mim o casamento não é a união entre duas pessoas de sexos opostos. Para mim o casamento é a união entre duas pessoas que se amam, respeitam, e querem passar o resto da vida juntas, apoiando-se e ajudando-se, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença. E isso, deverá ser a única coisa que interessa.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Carta aberta ao Senhor Aflito

Caro Senhor,
Por enquanto a sua identidade permanece-me desconhecida. Eu nem sei se é português ou inglês, homem ou mulher. Mas tenho para mim que deve estar muito aflito e preocupado, com medo de que lhe descubram os 4 milhões. É complicado. Na verdade, cara pessoa, a prisão é um sério risco que enfrenta (embora, convenhamos, em Portugal só o Vale e Azevedo é que vai preso e não me parece que você seja ele). Em todo o caso, o cárcere é uma possibilidade. Bem como as chatices que podem advir de alguém, especialmente alguém dos jornais, descobrir que é você que tem ficou com o dinheiro. Vão escrutiná-lo e colocar a sua cara e o seu nome em todas as capas dos matutinos.
Ora eu por mim, que sou boa pessoa e não tenho uma imagem pública a defender, queria apenas dizer-lhe que se precisar dos meus préstimos pode contar comigo para lhe ocultar esses euros. Sinta-se livre de o depositar na minha conta. Não é uma offshore, é da Caixa Geral de Depósitos, como boa portuguesa que sou. Mas não se preocupe comigo, que eu resolvo os meus problemas. Se quiser, faça depósitos de 499 euros, porque a partir dos 500 há aquela questão dos impostos a pagar pelas doações.
Se precisar do meu nib é só escrever-me para o endereço de e-mail disponível no canto superior direito da página.
Ainda não fiz nenhuma boa acção este ano, e já vamos no final do mês. Por isso escolhi ajudá-lo a si, porque penso que seguramente estará muito aflito, com esses 4 milhões a queimarem-lhe os dedos e a carteira e sinto que é, por isso, meu dever ajudá-lo, num momento em que ninguém se parece preocupar com o seu bem-estar.
Sem mais de momento, atentamente,
Rita

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Ainda Updike

Facto de grande importância, e por mim omitido - por desconhecimento de causa - na primeira postagem. Não só John Updike era escritor de inegável talento, como era portador dessa doença terrível chamada psoríase. Diz ele que esta lhe determinou a vida. Talvez por ela se tenha tornado escritor, profissão que não exigia que exibisse a pele, e por ela se casou cedo «porque, tendo um vez encontrado uma mulher graciosa que relevou a minha pele, não me arrisquei a perdê-la e a tentar encontrar outra», escreve. Além disso, dá um twist ao mito de Narciso bem interessante: «A psoríase põe a gente a pensar. Estratégias de dissimulação ramificam-se e a autocrítica não tem fim. Somos compelidos ao espelho, a toda a hora; a psoríase obriga ao narcisismo, se concebermos um Narciso que não gostava do que via.»
Agora, sim, tenho para mim garantido que vou para casa ler O Terrorista, o Corre, Coelho, e os que mais pelas minhas estantes encontrar. Já encontrei qualquer coisa em comum entre mim e Updike. Agora quero descobrir mais. De qualquer forma seria bom, daqui a uns anos, ter também um Pulitzer a aproximar-me dele (dois é capaz de já ser pedir demais...). Será que o Roth também tem destas coisas?

Enquanto nos riamos

e enquanto bebíamos copos e comemorávamos aniversários, John Updike morreu, antes de completar 77 anos. Agora estou com sentimento de culpa, a lembrar-me que deixei O Terrorista a meio e o troquei por qualquer outra ficção, provavelmente menor. Prometo que lhe vou voltar, acabar e ainda deixar aqui algum parágrafo na esperança de vos convencer a lê-lo. Tu agora já o podes ler. Já está morto. Infelizmente. Ainda um mês não passou e este ano de 2009 já está cheio de perdas e mortes a torná-lo mais triste e ao mundo um lugar mais vazio.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Toma uma pin up para ti


Ah, ah, ah, ah, ah, ah, ah. Já estás tão velha quanto eu. E, surpresa, surpresa, já tens mais rugas na tua cara que moi na minha. Mas não faz mal, vamos envelhecendo juntas, que isso é o que interessa. Havemos de ser velhinhas, sobremaquilhadas, com uns penteados muito armados, e umas roupas estapafúrdias muito coloridas e muito out, e continuaremos a tomar os nossos cafezinhos, a fumar os nossos cigarrinhos, a rir que nem umas pitas histéricas (a culpa é do útero, nós não temos nada a ver com isso) e a chamar os olhares dos outros transeuntes. Aos 90 ainda nos vamos perguntar se o amor poderá ser eterno, se o sexo poderá ser melhor, e se o que conta é o comprimento, a largura, ou somente a performance. E a ser muito felizes e muito tontas, a cantar a plenos pulmões e a programar a nossa girls band. A ficar chocadas com as bocas da Kátia e com o ego da Mami. E vai ser bom, muito bom, porque aconteça o que acontecer vamos viver isso tudo juntas. Todos os aniversários, todas as rugas, todos os pneus, todos os quilos, todos os Verões e a neve que não neva mas está quase a nevar no Inverno, todas as tristezas e desgostos, as alegrias, as comidas, jantares e almoços que pequenos-almoços não são connosco, as casas, os filhos, os animais de estimação, as grandes e pequenas conquistas profissionais, os pássaros do Sul no mar da Costa e em todos os outros mares que hão de vir, os rebolares na areia na Ericeira, as máscaras fora do Carnaval na festas lisboetas, os filmes, os concertos, as cantorias, os bolicaos – ai meu Deus que eu desmaio mas tu não te preocupes avisa toda a gente que eu estou bem – os filmes, os livros e os teatros que aí vêm, juro que vêm e vai ser nos 26 que o Shakespeare em alguns minutos que não me lembro quantos vai bater à tua porta. Todas essas pequenas e grandes coisas que são nossas e nos fazem e que tornam todos estes anos tão especiais e tão merecedores de ser vividos e recordados. Que os 26 sejam melhores que os 25 que eu esteja lá em quase todos os bons momentos (quase, há uns em que quero estar longe, muito longe) e em todos os maus, porque para isso é que eu sirvo. Usa e abusa que gosto muito de ti, e olha que não gosto muito de muita gente. Parabéns pipoca cor-de-rosa.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009