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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Waugh, ou a tristeza do amor


"Talvez todos os nossos amores sejam apenas sugestões e símbolos; linguagem de vagabundo rabiscada nos muros e nas pedras do chão ao longo da estrada penosa que outros palmilharam antes de nós; talvez tu e eu sejamos modelos e esta tristeza que por vezes cai entre nós brote da desilusão da nossa procura, cada um de nós esforçando-se através e para além do outro, apanhando de vez em quando um pouco da sombra que dobra a esquina sempre um passo ou dois à nossa frente."

Evelyn Waugh, Reviver o Passado em Brideshead 

quarta-feira, 26 de março de 2008

Poema

A minha vida é o mar o Abril a rua
O meu interior é uma atenção voltada para fora
O meu viver escuta
A frase que de coisa em coisa silabada
Grava no tempo e no espaço a sua escrita

Não trago Deus em mim mas no mundo o procuro
Sabendo que o real o mostrará

Não tenho explicações
Olho e confronto
E por método é nu meu pensamento

A terra o sol o vento o vento o mar
São a minha biografia e são o meu rosto

Por isso não me peçam cartão de identidade
Pois nenhum outro senão o mundo tenho
Não me peçam opiniões nem entrevistas
Não me perguntem datas nem moradas
De tudo quanto vejo me acrescento

E a hora da minha morte aflora lentamente
Cada dia preparada

Sophia de Mello Breyner 

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Letras maiores - Tu Risa


Tu Risa


Quítame el pan, si quieres,
quítame el aire, pero
no me quites tu risa

No me quites la rosa,
la lanza que desgranas,
el agua que de pronto
estalla en tu alegría,
la repentina ola
de plata que te nace.

Mi lucha es dura y vuelvo
con los ojos cansados
a veces de haber visto
la tierra que no cambia,
pero al entrar tu risa
sube al cielo buscándome
y abre para mí todas
las puertas de la vida.

Amor mío, en la hora
más oscura desgrana
tu risa, y si de pronto
ves que mi sangre mancha
las piedras de la calle,
ríe, porque tu risa
será para mis manos
como una espada fresca.

Junto al mar en otoño,
tu risa debe alzar
su cascada de espuma,
y en primavera, amor,
quiero tu risa como
la flor que yo esperaba,
la flor azul, la rosa
de mi patria sonora.

Ríete de la noche,
del día, de la luna,
ríete de las calles
torcidas de la isla,
ríete de este torpe
muchacho que te quiere,
pero cuando you abro
los ojos y los cierro,
cuando mis pasos van,
cuando vuelven mis pasos,
niégame el pan, el aire,
la luz, la primavera,
pero tu risa nunca
porque me moriría.
Pablo Neruda