quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Enquanto nos riamos

e enquanto bebíamos copos e comemorávamos aniversários, John Updike morreu, antes de completar 77 anos. Agora estou com sentimento de culpa, a lembrar-me que deixei O Terrorista a meio e o troquei por qualquer outra ficção, provavelmente menor. Prometo que lhe vou voltar, acabar e ainda deixar aqui algum parágrafo na esperança de vos convencer a lê-lo. Tu agora já o podes ler. Já está morto. Infelizmente. Ainda um mês não passou e este ano de 2009 já está cheio de perdas e mortes a torná-lo mais triste e ao mundo um lugar mais vazio.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Toma uma pin up para ti


Ah, ah, ah, ah, ah, ah, ah. Já estás tão velha quanto eu. E, surpresa, surpresa, já tens mais rugas na tua cara que moi na minha. Mas não faz mal, vamos envelhecendo juntas, que isso é o que interessa. Havemos de ser velhinhas, sobremaquilhadas, com uns penteados muito armados, e umas roupas estapafúrdias muito coloridas e muito out, e continuaremos a tomar os nossos cafezinhos, a fumar os nossos cigarrinhos, a rir que nem umas pitas histéricas (a culpa é do útero, nós não temos nada a ver com isso) e a chamar os olhares dos outros transeuntes. Aos 90 ainda nos vamos perguntar se o amor poderá ser eterno, se o sexo poderá ser melhor, e se o que conta é o comprimento, a largura, ou somente a performance. E a ser muito felizes e muito tontas, a cantar a plenos pulmões e a programar a nossa girls band. A ficar chocadas com as bocas da Kátia e com o ego da Mami. E vai ser bom, muito bom, porque aconteça o que acontecer vamos viver isso tudo juntas. Todos os aniversários, todas as rugas, todos os pneus, todos os quilos, todos os Verões e a neve que não neva mas está quase a nevar no Inverno, todas as tristezas e desgostos, as alegrias, as comidas, jantares e almoços que pequenos-almoços não são connosco, as casas, os filhos, os animais de estimação, as grandes e pequenas conquistas profissionais, os pássaros do Sul no mar da Costa e em todos os outros mares que hão de vir, os rebolares na areia na Ericeira, as máscaras fora do Carnaval na festas lisboetas, os filmes, os concertos, as cantorias, os bolicaos – ai meu Deus que eu desmaio mas tu não te preocupes avisa toda a gente que eu estou bem – os filmes, os livros e os teatros que aí vêm, juro que vêm e vai ser nos 26 que o Shakespeare em alguns minutos que não me lembro quantos vai bater à tua porta. Todas essas pequenas e grandes coisas que são nossas e nos fazem e que tornam todos estes anos tão especiais e tão merecedores de ser vividos e recordados. Que os 26 sejam melhores que os 25 que eu esteja lá em quase todos os bons momentos (quase, há uns em que quero estar longe, muito longe) e em todos os maus, porque para isso é que eu sirvo. Usa e abusa que gosto muito de ti, e olha que não gosto muito de muita gente. Parabéns pipoca cor-de-rosa.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

The 80's are back!


Sucessos 2008

Basicamente tudo se resume numa frase: diverti-me imenso. E isso diz tudo. Um grande bem haja aos que o tornaram possível. Não há mistério. Sim, são vocês. Os suspeitos do costume que ainda perdem tempo a ler este blogue. Obrigadinha, pá! Já sei, tu desculpa, mas eu gosto do pá. A minha kátia percebe-me. 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Eu e a Segurança Social

A Segurança Social descobriu-me. Eu, que nunca lhe disse nada, sempre fiquei quieta no meu canto, a fazer de morta ou inexistente, estou inocente dessa descoberta. Fui dar com uma carta endereçada à minha pessoa na caixa do correio. Estranhei logo o remetente. Deve ser engano, não pode ser para mim, então se eles nem sabem que eu existo. Uma pessoa que não nos conhece não nos escreve, certo? Sim, claro, está bem está. Então, Rita, e a publicidade, especialmente a enganosa, vendedores da banha da cobra, aquelas cartas óptimas que nos dizem que ganhámos 10 milhões de euros que só temos que comprar um telemóvel para os receber? Pois, já me esquecia. Adiante: lá abri a carta, a ver se aquilo era mesmo comigo. Ao que parece, era. Sabiam muitas coisas sobre mim, batia tudo certo e convenci-me de que era mesmo para mim. Agora a SS faz parte da minha vida e correspondemo-nos. Pronto. Mami, tu desculpa, mas afinal tenho mais um pen pal. Não te preocupes. Também ainda não lhe respondi e a tua resposta irá primeiro para a caixa do correio que eu gosto mais de ti do que deles.
Onde é que eu ia? Ah, certo, em como é que a SS (esse monstro de grande tentáculos) chegou a mim. Afinal, descubro, eles falam todos entre eles. Bem ao jeito português. Nada do que façamos passa impune, há sempre alguém que sabe que somos, e que está de olho em nós, e que vai contar aquilo que fazemos aos seus amigos mais chegados, mesmo que esses amigos não nos conheçam porque, o que é que isso interessa?, de certeza que vão ter interesse na nossa história pois, entre outros motivos, convenhamos, vão acabar por nos conhecer mais tarde ou mais cedo, que este país é pequeno demais para não nos cruzarmos nalgum momento. Julgamo-los ineficientes (aos senhores da SS e da função pública em geral) mas essa ineficácia é só para algumas coisas. Ao que parece que as Finanças passaram a mensagem: Atenção, que têm aqui uma trabalhadora independente. Cuidado com a jornalista Freelancer. De certeza que é trapaceira. Escrevam-lhe. Obriguem-na a dar-vos os seus dados, sob pena de nunca lhe verem um cêntimo. Abriu actividade há quase 1 ano e ainda não vos disse nada.
E voilá, depois de escrever à Mami como prometido, vou também responder-lhes a todas as questões que me colocaram: tenho que ser coerente com os meus ideais e eu acredito no Estado e no Estado-Providência e essas coisas todas. Mas aviso desde já: é mais provável, senhores da SS, que vocês gastem mais dinheiro comigo do que eu convosco. Uma relação é sempre a dois, e quando um dá o outro recebe, mas depois troca e é mesmo assim que senão é injusto. E, maravilha, este ano tenho isenção, não tenho que vos pagar nada, para o ano digo que sou pobre (é um facto) e depois, quando a crise acabar por ditar o fecho do jornal onde escrevo, vou dizer-vos que estou desempregada e que preciso de um subsidio. Posteriormente engravido e como não casei, que isto está difícil e o homem não só não partilha da fé católica como não gosta particularmente destes rituais pagãos, sou mãe solteira, o que me dá direito a mais uns cobres, e vamos prosseguindo neste rame-rame até que a morte nos separe (espero que a minha e não a tua, mas essa é uma incógnita que só daqui a uns anos é que vamos descobrir, embora, aparentemente, tenhamos as duas os dias contados a médio prazo).

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

À espera

Estou em suspenso. A última hora foi passada à frente do computador, a olhar para a página do Gmail, à espera da resposta a um e-mail previamente enviado. É complicado. Nunca sabemos se a pessoa recebeu o e-mail, quando recebeu, quando o leu. Será que também tinha o Gmail aberto e o leu imediatamente, ignorando o facto de pedir resposta? Pode ter lido, bufado, e ido fazer uma sandwiche. Ou pode ainda não ter lido, ou estar a ler agora. Ou seja, estou à espera de uma resposta que pode chegar daqui a um minuto, daqui a meia hora, daqui a uma hora, três horas, um dia, uma semana, um mês, nunca. E, até lá, fico à espera. À espera no sentido temporal e no sentido da esperança em si mesma. Estou, portanto, pendente de um e-mail. O que é estranho. Porque habitualmente, quando ficamos pendentes de um e-mail, sms ou telefonema, que pode chegar a qualquer instante, quando suspendemos a vida em função disso, a coisa costuma envolver dois tomates, um pepino e uma qualquer promessa sexual. Neste caso não. Estou à espera de resposta de uma mulher que nunca vi na vida, e que está a um oceano de distância. É trabalho, meu Deus, é trabalho. Estarei uma workaholic? Eu? Assim começo 2009. Podem contratar-me. Serei uma boa profissional. Não cobro muito. Consta que a relação qualidade/preço é excelente.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Balanços

Mais um ano se foi.

Fracassos: Nunca comecei a dieta, nunca me inscrevi num ginásio, viajei pouco, mantive-me no mesmo trabalho de há anos, mal pago e sem perspectivas de melhoramentos futuros. Não fui ao teatro, não fui à Rússia, a Estocolmo nem a África. Não li o Musil. Fui a poucos concertos, conheci poucas pessoas, recordo poucos textos ou entrevistas com saudades. Não ganhei o prémio de Amiga do Ano 2008 - mas também não o perdi. Não escrevi um livro, não plantei um árvore, não tive um filho. Não me lembro de todos os dias deste ano, porque nem todos tiveram uma marca distintiva que os caracterize. Não ganhei o Euromilhões, não melhorei as vidas alheias, nem fiz do mundo um lugar melhor. Não reciclei sempre - foram várias as garrafas de plástico e embalagens que não separei. Continuo a não gostar de salada, não como fruta todos os dias. Não deixei de fumar. Continuo a consumir séries atrás de séries televisivas quando esse tempo podia ter sido dedicado aos livros e a dizer a algumas pessoas que gosto muito delas. Não transformei os meus defeitos em virtudes. Não me confessei e, excluindo casamentos e afins, não fui a uma única missa. Não mudei rigorosamente nada e continuo a mesma Rita que era há um ano. Exactamente igual. Mas estranhamente depois desta lista, mais feliz.


Esperam-se futuros desenvolvimentos nos quais enumerarei os sucessos de 2008.


quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Porque o Natal é altura de nos preocuparmos com aqueles que mais precisam

Waugh, ou a tristeza do amor


"Talvez todos os nossos amores sejam apenas sugestões e símbolos; linguagem de vagabundo rabiscada nos muros e nas pedras do chão ao longo da estrada penosa que outros palmilharam antes de nós; talvez tu e eu sejamos modelos e esta tristeza que por vezes cai entre nós brote da desilusão da nossa procura, cada um de nós esforçando-se através e para além do outro, apanhando de vez em quando um pouco da sombra que dobra a esquina sempre um passo ou dois à nossa frente."

Evelyn Waugh, Reviver o Passado em Brideshead 

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Bloody, ou Associação de Vampiros pela Cidadania




Associação de Vampiros pela Cidadania - mais alguém viu este anúncio?

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

E agora... Fim-de-semana


E com neve, espera-se. E livros à lareira, a acolher o Inverno que, este ano, chegou mais cedo.

Wook

Consegui comprar algum livro a 0 centimos nesta campanha da Wook? Não. Consegui aceder ao site? Não. Alguém que eu conheça conseguiu? Não. Deram mesmo um milhão de livros, ou mil, ou três mil grátis? Parece-me que não. Cheira a campanha publicitária enganosa? Sim.
Eu até era cliente Webbom. Às vezes não me conseguia controlar e comprava. É fácil. Serei cliente Wook depois disto? Dúvido.
Detesto que me enganem e façam perder tempo.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Byblos


Fechou. E nem durou um ano. Ao contrário de quase todos os demais bloguistas, tenho pena que tenha fechado. Por um lado, porque qualquer livraria que feche é, para mim, motivo de tristeza, nunca de regozijo. Depois, porque com o aproximar do Natal planeava lá passar e comprar alguns conjuntos da Vintage e oferecê-los a quem faz questão de ler os grandes romancistas anglo-saxónicos em língua original. Por último porque, aquando da sua abertura, fiz uma reportagem sobre este projecto megalómano. E, muito embora logo tenha percebido que a localização era terrível, pude ver o sonho nos olhos de Américo Areal. E faz-me uma pena imensa que os sonhos não vinguem. Especialmente quando esses sonhos se prendem com livros. Na sua desgraça imagino a minha quando, também eu, cumpra o meu próprio sonho, e abra a minha livraria. Será diferente em tudo, é certo. Mas todos sabemos que, independentemente do tamanho, da localização ou da tecnologia, é muito difícil viver dos livros em Portugal.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

A M.

Madalena,

Eu vi-te hoje mas tu não me viste a mim. Passaste a tarde de olhos fechados. Não faz mal. Eu percebo. Há muito a descobrir no mundo, muitas cores por ver, muitas caras. Demasiada confusão. Acabaste de nascer. Ainda não tens três kilos. És uma mini-me. Mas mais cabeluda.
Daqui a uns anos vais ser maior (mais alta, entenda-se) do que eu. Não é difícil, como virás a perceber um dia. Só consigo superar em altura as crianças até à sua fase adolescente. Até lá vou ser a Tia. Até que me encares de frente e percebas que sou igual a ti. Com os mesmo medos, inseguranças e ignorâncias. E com a mesma vontade de viver. Não sei que tia vou ser para ti. Se a tua vida está a começar, também uma nova fase está a começar para mim. A fase em que a minha geração começa a gerar uma nova geração - da qual fazes parte. Por isso, Madalena, não sei como vai ser essa minha nova vida que agora começa, tal como tu não sabes como vai ser a tua. Mas espero ser a tia Rita com quem podes falar, desafabar, brincar, sair, aprender, divertir. Acima de tudo, a Rita com quem podes sempre contar, sem esse prefixo terrível que me afasta automaticamente de ti.  
Um dia vais abrir esses teus olhos enormes e ver. E vais espantar-te com o mundo, e tudo vai ser novo e magnífico para ti. Vais ver tudo brilhante e vais ter cada dia mais curiosidade para conheceres mais.
Espero que essa curiosidade, e essa capacidade de te surpreenderes, não se esgotem nunca. Não sei em que mundo vais viver. Ele está a mudar agora - não estará sempre?  - e não faço ideia de como ficará. Espero que melhor. Eu conheci dois séculos, dois milénios. No decorrer da História, apenas de raspão, claro. Mas tu não. Tu és uma pessoa do novo século, do novo milénio. Espero que tenhas também uma mente nova. Aberta. De olhos postos no futuro. Sem preconceitos ou conservadorismos inúteis. Que sejas uma pessoa maravilhosa. Que sejas feliz, que tenhas sempre uma enorme capacidade de sonhar. Que, com os teus gestos, com as tuas palavras, e com o teu coração, consigas tocar e mudar a vida das pessoas, tornando-as, de alguma forma, melhores. 
Tens todos os caminhos à tua frente. Espero que escolhas os melhores e os que te deixarem mais feliz. Quero que saibas que, apenas com três dias, já mudaste a minha vida, já me fizeste sorrir, emocionar. Acrescentaste algo ao meu mundo: acrescentaste-te a ti.  E já o tornaste melhor. Apenas por existires. Imagina o quanto o vais melhorar por tudo aquilo que disseres, e fizeres, ao longo dos próximos anos. 
Desejo-te a melhor das vidas. Bem-vinda à Terra. Bem-vinda à vida.  

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Esperança

Esperança por um mundo melhor. Um mundo mais pacífico, mais limpo, mais igual. Um mundo onde apeteça viver. Sem medos.