quarta-feira, 5 de março de 2008

Moral da história

«O que queres tu?»perguntou-lhe. «Não sei. Quero tudo. Quero o branco e o preto. Quero a noite e o dia. Quero a luz e o negrume. Quero o frio e quero o calor. O céu e o inferno. O mar e o rio. A água e o fogo. Quero os Beatles e os Rolling Stones. Quero Country e Hip-Hop. Quero cinema americano e quero cinema português. Quero o Público e o 24 horas. Quero o Dan Brown e quero o Tolstoi.», respondeu.

Ela pensou na respostas que acabara de ouvir. Em tom de censura, apontou: «Queres tudo então.»

Face a isso, a outra hesitou. Não era que quisesse tudo. Pensou melhor. «Não é bem isso. Acima de tudo, não quero optar. Não quero ter que fazer escolhas.»

«Tens medo do que possas perder?», interrogou-a de novo. «Sim. Talvez seja isso», admitiu.

«Chama-se custo de oportunidade», explicou-lhe enquanto acendia um cigarro. «Pode ser que, mais tarde, de tanto não quereres escolher, fiques sem nada», disse para concluir a conversa.

«Porquê? É isso que me desejas?», questionou. «Não. Mas a isso chama-se 'moral da história'. E não é por acaso que existe em todas as fábulas.»

3 comentários:

Rafael Stuart disse...

pleasure killer! let me dream!

=p

Rafael Stuart disse...

advinhas??


http://on-how-i-fought-in-the-easter-rising.blogspot.com/2008/03/blog-post_6959.html

Golden Globes disse...

Eu avisei que não queria crescer. Ningém me ouviu...e agora?