quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Eu e a Segurança Social

A Segurança Social descobriu-me. Eu, que nunca lhe disse nada, sempre fiquei quieta no meu canto, a fazer de morta ou inexistente, estou inocente dessa descoberta. Fui dar com uma carta endereçada à minha pessoa na caixa do correio. Estranhei logo o remetente. Deve ser engano, não pode ser para mim, então se eles nem sabem que eu existo. Uma pessoa que não nos conhece não nos escreve, certo? Sim, claro, está bem está. Então, Rita, e a publicidade, especialmente a enganosa, vendedores da banha da cobra, aquelas cartas óptimas que nos dizem que ganhámos 10 milhões de euros que só temos que comprar um telemóvel para os receber? Pois, já me esquecia. Adiante: lá abri a carta, a ver se aquilo era mesmo comigo. Ao que parece, era. Sabiam muitas coisas sobre mim, batia tudo certo e convenci-me de que era mesmo para mim. Agora a SS faz parte da minha vida e correspondemo-nos. Pronto. Mami, tu desculpa, mas afinal tenho mais um pen pal. Não te preocupes. Também ainda não lhe respondi e a tua resposta irá primeiro para a caixa do correio que eu gosto mais de ti do que deles.
Onde é que eu ia? Ah, certo, em como é que a SS (esse monstro de grande tentáculos) chegou a mim. Afinal, descubro, eles falam todos entre eles. Bem ao jeito português. Nada do que façamos passa impune, há sempre alguém que sabe que somos, e que está de olho em nós, e que vai contar aquilo que fazemos aos seus amigos mais chegados, mesmo que esses amigos não nos conheçam porque, o que é que isso interessa?, de certeza que vão ter interesse na nossa história pois, entre outros motivos, convenhamos, vão acabar por nos conhecer mais tarde ou mais cedo, que este país é pequeno demais para não nos cruzarmos nalgum momento. Julgamo-los ineficientes (aos senhores da SS e da função pública em geral) mas essa ineficácia é só para algumas coisas. Ao que parece que as Finanças passaram a mensagem: Atenção, que têm aqui uma trabalhadora independente. Cuidado com a jornalista Freelancer. De certeza que é trapaceira. Escrevam-lhe. Obriguem-na a dar-vos os seus dados, sob pena de nunca lhe verem um cêntimo. Abriu actividade há quase 1 ano e ainda não vos disse nada.
E voilá, depois de escrever à Mami como prometido, vou também responder-lhes a todas as questões que me colocaram: tenho que ser coerente com os meus ideais e eu acredito no Estado e no Estado-Providência e essas coisas todas. Mas aviso desde já: é mais provável, senhores da SS, que vocês gastem mais dinheiro comigo do que eu convosco. Uma relação é sempre a dois, e quando um dá o outro recebe, mas depois troca e é mesmo assim que senão é injusto. E, maravilha, este ano tenho isenção, não tenho que vos pagar nada, para o ano digo que sou pobre (é um facto) e depois, quando a crise acabar por ditar o fecho do jornal onde escrevo, vou dizer-vos que estou desempregada e que preciso de um subsidio. Posteriormente engravido e como não casei, que isto está difícil e o homem não só não partilha da fé católica como não gosta particularmente destes rituais pagãos, sou mãe solteira, o que me dá direito a mais uns cobres, e vamos prosseguindo neste rame-rame até que a morte nos separe (espero que a minha e não a tua, mas essa é uma incógnita que só daqui a uns anos é que vamos descobrir, embora, aparentemente, tenhamos as duas os dias contados a médio prazo).

3 comentários:

Rafael Stuart disse...

oh adágio da desgraça! se a tua chegou a minha não deve tardar! descontar balurdios...a fingir que é para o plano nacional de cura à celulite :p fico à espera do correiooooo!! bjuss

El-Gee disse...

o mero pensamento de um mini-Filipe Canas esta-me a dar a volta aos arames.

MaryPoppins disse...

Estás a falar das tropas SS, certo?!